In Unitate Fidei

Resumo da carta Apostólica de Leão XIV

Por ocasião do 1700.º aniversário do I Concílio Ecuménico de Niceia (325 d.C.) e em antecipação da Viagem Apostólica à Turquia, esta carta exorta a Igreja a um renovado impulso na profissão da fé. O objetivo é recordar que o património de fé, partilhado há séculos, deve ser confessado de forma nova e atual, servindo de alicerce para a esperança em tempos difíceis marcados por guerras, injustiças e medos.
O texto revisita o contexto histórico do Concílio. Após o fim das perseguições, a Igreja enfrentou uma grave crise interna provocada por Ário, que negava a divindade plena de Jesus, considerando-O um ser intermédio e criado. Para preservar a unidade da Igreja e do Império, o Imperador Constantino convocou o Concílio de Niceia. Os Padres conciliares, rejeitando a tese de Ário, definiram Jesus como «Filho de Deus», «gerado, não criado» e «da mesma substância» (homooúsios) do Pai. Esta terminologia não visava impor a filosofia grega, mas salvaguardar a fé bíblica e o realismo da Encarnação: apenas se Jesus for verdadeiramente Deus é que nos pode salvar e “divinizar”.
O texto epistolar destaca a continuidade desta luta pela ortodoxia através de figuras como Santo Atanásio e os Padres Capadócios (Basílio, Gregório de Nissa e Gregório Nazianzeno). Este processo culminou no I Concílio de Constantinopla (381), que expandiu o artigo sobre o Espírito Santo, fixando o Credo Niceno-Constantinopolitano. Este Símbolo de Fé tornou-se o elo de unidade entre o Oriente e o Ocidente e é reconhecido pela maioria das tradições cristãs, incluindo as nascidas da Reforma.
O documento sublinha que o Credo não é uma teoria abstrata, mas um compromisso de vida.

  • Fé em Deus Criador: Implica cuidar da criação (a “casa comum”) e partilhar os recursos da terra com justiça, rejeitando a idolatria do poder ou do dinheiro.
  • Fé em Cristo: Seguir Jesus exige reconhecê-Lo nos pobres e marginalizados. A “divinização” do homem acontece através do abaixamento e do serviço ao próximo. Não se pode amar a Deus sem amar o irmão.
    Niceia é apresentado como a pedra angular do ecumenismo. O texto celebra os avanços no diálogo com outras Igrejas nos últimos sessenta anos, afirmando que o que une os cristãos (o Batismo e o Credo) é maior do que o que os divide. O Papa apela a um “ecumenismo espiritual”, baseado na oração comum e na reconciliação, onde a diversidade é vista como riqueza e não como ameaça. A unidade visível é um imperativo para que o testemunho cristão de paz seja credível no mundo.
    A carta termina com uma oração ao Espírito Santo, pedindo a graça de reavivar a fé, a esperança e a caridade, e de guiar todos os cristãos rumo à plena comunhão.

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