Festas do Sr. Jesus dos Navegantes

Está quase a chegar o dia 30 de agosto, o dia da nossa grande festa do Senhor Jesus dos Navegantes. E, com o coração aberto, apetece-me falar convosco assim, como quem conversa entre vizinhos que partilham a mesma estrada – ou, neste caso, o mesmo porto.
A nossa terra tem o mar no nome e tem o mar na história. Quem vive em Paço de Arcos sabe bem o que é fazer uma travessia, sabe o valor de um porto de abrigo e sabe a importância de ter um farol que nos guie quando a vida se faz mais difícil. Por isso, celebrar o nosso Jesus dos Navegantes é sempre uma oportunidade para pararmos um pouco e olharmos para a direção que estamos a dar à nossa vida.
Este ano, porém, temos mais um motivo para celebrar. Estamos a começar uma caminhada longa, que nos vai levar até 2033, altura em que celebramos os 2000 anos da Redenção do Senhor. Parece muito tempo? Talvez. Mas, como se costuma dizer, uma caminhada de mil milhas começa sempre com o primeiro passo. E este passo que vamos dar agora tem um nome bonito: “Vinde e Vede”.
Não é nada complicado. No fundo, é um convite que Jesus faz a cada um de nós. Àquele que já caminha na fé, é um convite a aprofundá-la. Mas também àquele que ainda não sabe bem o que acredita, que tem perguntas sem resposta, que olha para a Igreja com curiosidade ou com desconfiança – também para esse o convite é genuíno: vem, olha, experimenta. A nossa comunidade não quer ser apenas um lugar onde quem já é cristão aprende a sê-lo melhor. Quer ser, acima de tudo, um lugar onde qualquer pessoa pode descobrir o que significa ser cristão – ou sequer perguntar se isso lhe diz algo. E este convite leva-nos a três atitudes muito simples, mas muito importantes:
Primeiro, prestar atenção. Queremos estar atentos a quem procura Deus, mesmo que essa procura seja feita em silêncio ou através de perguntas que parecem difíceis. Às vezes, basta um olhar, uma palavra, um gesto pequenino.
Segundo, o acolhimento. A nossa paróquia tem de ser como a nossa casa. Quem chega, seja de onde for, tem de sentir que aqui há alguém para ouvir, alguém para dialogar e alguém para caminhar ao seu lado. Sem pressas, sem julgamentos.
E terceiro, o essencial. Não queremos encher a cabeça de ninguém com teorias complicadas. O que nós queremos é que as pessoas sintam o amor de Jesus. É isto que chamamos o “primeiro anúncio”: a boa notícia de que Deus nos ama, de que Ele dá sentido à nossa vida e de que nunca estamos sozinhos.
E quando falamos em “percursos de iniciação cristã”, talvez isto vos soe a coisa burocrática. Mas não é nada disso. Pensem antes como um acompanhamento de família, um caminho que se faz lado a lado. Um caminho que passa pela Palavra, lendo aquilo que Jesus nos deixou; pelos Sacramentos, alimentando-nos da força que vem de Deus; pela Oração, falando com Ele como falamos com um amigo; e pelo Serviço, olhando para o vizinho que precisa de ajuda, para o mais frágil, para aquele que está sozinho.
Meus amigos, o “Vinde e Vede” é vivido por cada um de forma diferente. O encontro com Cristo toca-nos de maneiras distintas, no ritmo e na profundidade que cada um de nós consegue ou está pronto para dar. Mas – e isto é essencial – não é um caminho que se faz sozinho. É uma partilha. É a descoberta de uma ligação fraterna que se apoia em Cristo. Cada um traz a sua história, as suas dúvidas, a sua fé em diferentes estados. E é precisamente nessa diversidade que nos tornamos companheiros de viagem uns dos outros.
Se alguém chegar à nossa porta com dúvidas, com medo, ou simplesmente à procura de um sentido para a vida, que sejamos nós a dizer: “Vem, experimenta, caminha connosco.”
Que esta festa de 30 de agosto não seja apenas um dia bonito de celebração que passa e se esquece. Que seja o início desta nossa travessia juntos, a caminho do Jubileu de 2033. Que o Senhor Jesus dos Navegantes guie a nossa barca comunitária e que, no final de cada dia, todos nos sintamos um pouco mais perto uns dos outros e, acima de tudo, um pouco mais perto de Deus.
Conto convosco, assim como sei que posso contar com a proteção do nosso Senhor dos Navegantes.

Vamos a isso?

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